sexta-feira, 27 de junho de 2008

Passado remoto


Ao atravessar a rua percebi que havia esquecido as lembranças na bolsa. Tentei voltar, mas os passos estavam introduzindo um novo encontro - Apenas outro - Naquele momento as ruas estavam em movimento, e junto aos meus passos estavam outros passos, que se confundiam entre si, cada vez mais e mais... O vento seco soprava leve, e a umidade deixava várias pessoas ressecadas... O relógio dizia que o tempo não pára e as conversas paralelas como as faixas de pedestre me obrigam a parar... As onomatopéias que se fazem presente me indicam que ali existe um porém, ou até mesmo outro alguém. Observo ao longe cenas corriqueiras de um cotidiano pávido. E olhares indicam que o caminho a percorrer, são míseros comparados aqueles galhos tortuosos que vejo passando... A vida límpida que um dia idealizei, se mostra totalmente turva e as minhas lembranças deixarão de existir naquele instante - até então - Me sinto aliviado e ao mesmo tempo aprisionado, mas sou surpreendido com um pássaro a voar, que diz tudo sem dizer nada, voando... A liberdade é um fator determinante na vida de qualquer pessoa, e as asas daquele pássaro, me gritam estridentemente, que é preciso sair da minha triste realidade e tentar alcança-lo o quanto puder. Alguém me disse uma vez que a vida é uma constante que se atravessa ao tempo, e isso é fato, porém ninguém veio até a mim dizer que o tempo também determina aflição e derrota. Estático pelos meus pensamentos introspectivo, alguém direciona a sua atenção até mim, e ela me acalma e me faz perceber que as lembranças que tenho na bolsa nunca existiram.

domingo, 22 de junho de 2008

Narciso, sou cidade.


Em frente ao espelho nada vejo, apenas uma imagem distorcida...

Tento não dizer, tento não querer, tento acreditar, mas a agulha hipodérmica injeta.

Então a beleza se tornou um artigo de luxo, quer dizer, o luxo que define o efêmero.

A minha imagem projetada quando me olho no espelho, me faz refletir, me faz querer sair, me faz entreter nos comerciais que passam na minha “fábrica de sonhos”.

Eu não sou manipulado, e muito menos persuadido, sou passional, e acredite até o meu discurso é indefinido.

As siglas já não me cabem mais, os ícones já deixaram todos pra trás, inclusive eu, e a marca d’água da legitimação me persegue e me corrompe cada vez que ligo...

Sou cidade sem escrúpulos, sou cidade hipócrita, sociedade.

Consumo a minha imagem e minha televisão só diz o que devo fazer e pronto!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Pausa dramática.

imagem:google


“(...) Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, E parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!” (Eça de Queiroz)

terça-feira, 17 de junho de 2008

Você quer ser Jornalista?

imagem: google

Durante os dias 11, 12 e 13 de Junho foi realizado o primeiro FESTCOM, Festival de Comunicação. O evento foi direcionado para o curso de Comunicação Social, e contou ainda com palestras proferidas de profissionais da área e oficinas práticas. Entre as palestras que foram dadas, dou destaque ao jornalista Rogério Silva, que carismático levantou um tema pouco explorado, "O Mercado Jornalístico", dando alusões ao mercado do Tocantins. Ele iniciou a palestra reproduzindo uma frase do Diretor da Central Globo de Jornalismo, Evandro Carlos de Andrade, que dizia: "Fazer Jornalismo é ser do contra". E dentro desse contexto falou daquilo que deveria ser - atente-se bem, deveria ser - a verdadeira capa do jornalismo. Mas como assim ser do contra? - lá vem você com a mentalidade de que jornalista = esquerdista - E antes fosse viu? E foi dessa forma que o Rogério complementou a frase. "A partir do momento que você acha tudo normal, você deixa de ser jornalista" - Concordo - Mas o ápice nem foi a frase do diretor, mas foi toda as questões ali colocada...Falou da internet como meio de comunicação, da derrubada do diploma para jornalistas, crash e o capital estrangeiro que não veio, quando se pensaram na "nova cara do jornalismo" e o stopim, jornalistas demais e pouca vaga no mercado. Diante desse quadro ainda acrescentou as explosões das faculdades de comunicação ( + de 300 cursos no Brasil + 7 mil profissionais ) Sobre o jornalista empreendedor - o empresário da comunicação - E por último a era digital, fazendo a deixa de que o mercado jornalístico ainda pode respirar bons ares com a vinda do digitalismo'. No entanto dentro de todos esses links, evidenciou o mercado jornalístico no Tocantins, comparando a "grande" imprensa com este mercado. Criticou a dependência do governo, que é o grande anunciante hoje - então questione-se a linha editorial - Mas quando se fala de salário, o quadro muda, quem gostaria de ganhar 1.100,00? Segundo este mesmo palestrante, o piso do jornalista se baseia nisso aí... Deste modo encerrei perguntando a ele onde estaria o problema então do jornalismo? Uma hora citou as explosão das faculdades, depois a má formação. E na opinião dele, a culpa é de um "todo", aqui o problema está na educação desses profissionais, tanto os professores mal instruídos das faculdades, como dos acadêmicos, que é o reflexo . Sendo assim caros leitores, vos pergunto, compensa alguém pagar uma faculdade que chega até custar 800 reais, ou ainda passar 4 anos estudando, para que no final chega a ganha 1.100,00? No entanto temos que ser arbitrários e não nos basear somente em estatísticas... Este é o quadro real - mudar de curso? - Mas aí a dialética retorna mostrando que no jornalismo você ganha o que reflete, e fazer jornalismo é ser do contra.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Que presente te daria?


E daí que você não ganhou nenhum presente no dia dos namorados?A data de hoje está tão agendada na mídia e na cabeça das pessoas, que você pode não lembrar do aniversário da mãe, do seu melhor amigo e até do seu namorado, mas jamais pode esquecer que dia 12 de Junho é o dia dos namorados. E a culpa é de quem? – lá vem você querendo culpar alguém – A culpa não é minha e nem sua, aqui não existe culpados, é um simples efeito que deu certo. Geralmente se refere ao agendamento como uma função disso e não a teoria. A teoria explica a correspondência entre a intensidade de cobertura de um fato e a relevância desse fato para o público – mostrar o que todos querem ver - Demonstrou-se que esta correspondência ocorre repetidamente – de fato - Mas como identificar isso? – Simples, percebe-se que “todo” discurso da mídia no final de maio e no começo de Junho, está toda voltada ao dia dos namorados. Isso é pra lembrar você que o dia do namorado está chegando, e tem que comprar o presente para o seu amado. É bom para o mercado e muito bom pra reforçar o amor também. Mas claro isso é tratado com uma leveza, pelos comerciais, programas, enfim, tudo isso pra alcançar o objeto, o amor? No entanto o grande motivo dos debates entre pesquisadores são essas questões de causalidade: é a agenda midiática que pauta a agenda da sociedade, ou é vice-versa? Se pensássemos que a mídia pauta a sociedade, vamos dar respaldo a teoria aqui citada, mas se não - a sociedade pauta a mídia - vamos entender que é um acordo que deu certo. Existem várias opiniões acerca dessa discussão, uns prós outros contra, mas o que é interessante extrair dessa fonte, é que... E daí que você não ganhou nenhum presente no dia dos namorados? O próximo ano talvez você esteja namorando e vai comprar um presente que é a cara do seu amado e então curtirá a sós momentos a dois.

domingo, 8 de junho de 2008

O Poeta Fingidor


Eu queria estar apaixonado, pra escrever apaixonadamente,

Por mais que tento, só consigo reproduzir o que imagino e desejo.

As palavras estão soltas, os sentimentos gélidos aqui dentro, estacionados.

Sinto-me uma cópia barata de um sentimento que eu idealizo,

Minha alma cala, e os amores gritam, como uma voz estridente dentro de uma caixa vazia.

Estou à beira do meu próprio medo, e o tempo antecede a minha rima, que agora faz franzina.

Não sei e jamais saberei compreender o que se passa dentro de mim, porém fecho os olhos, e imagino um amor incondicional chamando estrelas e me convidando pra dançar.

As traças já não me querem mais, e ninguém me mostra interesse.
Apenas reflito n’minha pausa dramática e me vejo a ponto de amar outra vez.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Ao léu


O céu estava lindo, e o vento continua soprando...
As nuvens que passam, reflete a lua, que insiste em brincar de esconde-esconde com as estrelas. Mas o vento sopra...
Lá longe, existe alguém observando aflito, e imaginando tocar o efêmero que se faz naquele momento intrínseco.
Agora os sentimentos que se espalham em folhas secas, ficou pra trás, e tudo é reluzente e atraente.
O céu ameaça abrir, e os ventos do norte se encontrarão, rumo a uma felicidade que era uma constante...
Porém, o tempo entendeu que se apreciar os fatos, quebrar barreiras, acertar os passos e redescobrir o seu próprio céu, fará com que as noite deixam de ser apenas a vela do sono, e passam a ser o silêncio de um dia sem nuvens...
Logo os olhares mudaram de direção.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

globo and you:cammon view?


As luzes apagaram, e todos aflitos direcionaram atenção para a televisão e o video k7 posto no centro da sala. Tratava-se de um filme antigo, porém interessante para as aulas de teoria da comunicação. O filme tinha um enredo interessante, mas pelo fato de ser preto e branco e uma interpretação arcaica, transformou na história do então empresário de comunicação - Kane -, em um verdadeiro freakshow. Todos sairiam dali vazios, afinal a informação que tínhamos, era um documentário produzido pela BBC, que foi proibido a vinculação no Brasil, pelo empresário Roberto Marinho, -manda chuva da rede globo- através de um mandato judicial. Com o advento da internet esse vídeo passou a ter conhecimento por muitos, principalmente estudante de comunicação, nada mal assistir algo do gênero, e emprega a teoria na prática. Uma verdadeira lição de casa pra não dizer outra coisa...
No entanto fui "além do cidadão Kane", e com o jingle mais famoso da televisão brasileira - "atenção emissoras da rede globo..." - que deu inicio ao proibido documentário. Ele é interessante porque da alusões ao cidadão Kane - personagem do cinema - mega empresário da comunicação, que mais tarde nos remete a imagem do Roberto Marinho. Nele tem o depoimento de Leonel Brizola, que compara o dono da globo: "Ele é uma espécie de Stalin no mundo das comunicações, quem não concorda com ele, ele manda pra Sibéria do Esquecimento". Outro que também atribuiu poder ao global foi Chico Buarque: "Ele é mais poderoso que o próprio cidadão Kane, é assustador!". Dois pontos de vista que questiona o que seria o verdadeiro poder da mídia. Outro momento importante do documentário é a crítica social que ele faz do Brasil, como um país que possui a terceira pior distribuição de renda do mundo, consegue atingir uma audiência de 100 milhões de pessoas? -na época -Remete a preferência do canal rede globo no país e mostra dados que comprova todo o discurso citado, como por exemplo a cobertura de 99,2% para 99,9% de televisores, todos eles ligados na programação do plin plin.
Com uma audiência cativa, faz com que os comerciais exibidos torna-se artigo de luxo, e grandes produções midiática... Da contornos aos apresentadores, como por exemplo, a linda e sexy xuxa, ex modelo, e atribuição de rainha dos baixinhos e celebridade que vende discos a ela.
Outro exemplo exorbitante de supremacia do canal, é que no final do ano, reuni todos o "globais" cantando um single conhecido pelo público. O além do cidadão Kane vai mais além quando diz que a televisão é o único meio de comunicação que atinge total dos Brasileiros,e por isso em 1990 o governo federal e orgãos públicos foram os maiores anuciantes -até hoje - Isso me fez lembrar e também é falado lá, que para abrir um canal de rádio e TV naquela época, precisava-se de uma concessão do governo federal, pra não dizer do presidente da república. E o presidente cedeu aos amigos, aos corregionários, aos representantes políticos, sem críterios algum, somente o favorecimento político, e foi assim que iniciou a deformação dos meios de comunicação no meio político. Cita exemplos como Silvio Santos, o então dono do canal SBT e do baú, que começou na rede globo e se afastou, ganhando autorização para abrir o seu próprio canal de televisão mais tarde. O contexto histórico é evidenciado pela ditadura militar, e historiadores no documentário dizem que ela deu prioridade e desenvolvimento para um moderno sistema de telecomunicações,criou o ministério das telecomunicação e viabilizou a compra de televisores a crédito, e que os objetivos definidos para isto foram a integração e segurança nacional. Ou seja, campanha... Talvez se levássemos pra nossa realidade hoje, o que lula quer fazer com a televisão digital, mas menos tenso. E falar da ditadura é lembrar da censura, pra não dizer, "manipulação" da informação naquela época. O poder gerado ao canal rede globo é tão questionável que no próprio documentário, intelectuais, publicitários e jornalistas, falam sem pudor que o brasil deixou de falar português e passou a falar o "globês", o que a rede globo dita. Outros comentários foi que o canal foi um projeto que maquiou a pobreza do Brasil, e isso é tão verdade que alguém diz que depois da exibição da novela "dance days", no qual se passava em uma discoteca no Rio de Janeiro, mesmos nos vilarejos mais isolados do Brasil, passaram a ter discoteca. No video a sua influência era exorbitante, e que ela também já foi censurada como toda TV no Brasil no regime militar, porém ela apoio o movimento, oq fez ela se estabelecer. E as denúncias políticas não param por aí, alguns falam que os partidários da ditadura militar, que sempre tiveram o poder de comunicação no nosso país, porque as pessoas não ve posição politica na televisão... Diferente da imprensa escrita, que já é legitimada partidarista. Outro fruto da globo foi as eleições, onde Luiz Inácio Lula da Silva, metalúrgico e candidato derrotado das eleições por Collor - fruto da política midiática, posta e tirada pela própria - Ele afirma no video ainda, que a globo não apoiava revoltas populares.
Sendo assim é relevante analisar que este documentário, só vem confirmar a idéia de que atrás da televisão existe "alguém", e que aquele alguém segue uma linha editorial. O discurso de que os meios são doutrinários, vai depender da atribuição de valores dado a esta ou aquela mídia.Porém observar os efeitos dela na sociedade e compreender até que ponto ela pode nos influenciar, é o chamariz do Além do cidadão Kane, que ainda nos ensina a não deixar de assistir televisão, mas não acreditar tudo que vê nela.