sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Reflita!


Quando estou na balada, olho para os lados e vejo um monte de gente dançando, consumindo bebidas, usando diferentes tipos de drogas, flertando entre si, gritando em exctasy total, e a sensação que tenho é que o mundo vai acabar naquele momento e só. Questiono-me porque as pessoas agem assim, e mesmo que eu vá para outro canto da balada e começo observar próximo ao som que toca o hit do momento, a cena não muda, porém agora vejo as luzes batendo no corpo delas , e elas fazendo caras e bocas ao tirar fotos que no dia seguinte, vão ser postadas no orkut, essa rede de relacionamentos, que é a máquina de marketing pessoal de muitos hoje.
Esse comportamento é normal, afinal todos estão em busca da mesma coisa, o tal prazer.
Mesmo alguém questionando, o porque das pessoas agirem assim, confundir liberdade com libertinagem, o feedback que me veio é totalmente subjetivo. Oras, todos estão em busca da mesma sensação de prazer, a famosa satisfação e felicidade. Já que nessa vida ninguém é feliz por completo, então que vivemos momentos de felicidades, que gozemos a vida por um segundo, que nos permitamos a entrar em um mundo onde tudo está vivo e claro pra todos nós.

Outra vez em uma balada dessas, uma jovem que beijou uma multiplicidade de pessoas, resolveu ir ao banheiro. Ao lavar o rosto, olhou para o espelho e viu o seu reflexo, como narciso. A sensação que ela teve, foi um vazio muito grande! O espelho estava dizendo que mesmo ela tendo todos em suas mãos, ao mesmo tempo ela não tinha nada, porque aquelas pessoas eram efêmeras, não a pertencia... Logo em seguida, essa jovem deixou a balada com a sensação de que a quantidade não é interessante pra sua existência.

Foi assim que andando pelas ruas de uma cidade grande eu percebi como isso é verdade. Aquele mutuado de gente andando em passos rápidos, alguns olhavam outros arriscavam olharem profundamente aos meus olhos e depois desviavam o mesmo olhar. Assim como um ritual, sucessivamente... E elas passam, passam! Talvez aquela mesma pessoa que olhou para mim antes pode morrer em seguida, ou eu posso está andando em outras ruas e encontrá-la,e até esbarrar nela, mas nem vou lembrar, porque ela não é interessante pra mim, mas é para alguém. E Mesmo a vida sendo fundamentada em encontros e desencontros, essa lacuna é uma sensação de liberdade e medo, é como se o mundo quisesse te engolir e você não sabe se aceita ou se recusa saindo dali.
reflita*

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A Alice de São Paulo


Em comemoração aos 455 anos da cidade de São Paulo me lembrei da série [outra] Alice exibido pela HBO.
Essa série me remeter a capital paulistana, pois foi o cenário escolhido para desenvolver toda a sua história. Na série, Alice é uma jovem de 26 anos que é guia turístico em Palmas – Tocantins. Com a notícia do suicido de seu pai, o destino o trouxe a São Paulo, onde ela muda completamente de vida e diante ao caos descobre uma nova Alice.

Quando assistir a série, logo no primeiro episódio surgiu uma dúvida:
Porque Alice escolheu viver a vida badalada de São Paulo do que o marasmo do Tocantins? E no decorrer da trama descobri que ela não teve escolha.

Com isso entendemos que São Paulo é assim, um eterno caso de amor: ou a gente ama ou a gente odeia.
Mas o que impressiona não são os vastos territórios composto na sua totalidade por arranha céus, prédios e trânsito congestionado. E sim porque lá as coisas acontecem, mesmo porque a cidade já foi palco dos mais importantes acontecimentos do país: revoluções políticas e culturais. E isso é tão marcante, que em cada rua é possível identificar essas marcas. A sua gente se confunde nos mais diversos aspectos: estilo, crenças, culturas, formações, ideais e raças… São Paulo é tão cosmopolita que pode ser considerada uma cidade italiana, japonesa, chinesa, francesa, italiana, africana, árabe, espanhola… Esse mutuado de culturas é tão evidente que basta chegar lá para se sentir um pouco paulistano.

Foi assim que Alice abraçou São Paulo e São Paulo abraçou Alice. Quando estive lá ano passado e no mesmo mês, conversando com as pessoas que moram lá descobri gente que vive há anos e pouco conhece desse cenário alucinante que conjuga estilo, cores, formas e padrões capazes de causar surpresa, desconforto, medo. Toda vez que na série mostra a noite da capital paulista, as luzes da cidade, é perceptível uma nova visão do óbvio, tudo isso pelas suas riquezas de detalhes. É o mesmo que andar pelas ruas e sentir-se um átomo, mais uma peça da engrenagem social. Mas assim é São Paulo - essa cidade que completou 455 anos dia 25 de Janeiro e parece ter nascido ontem, tão moderna que a sensação que temos é que ela foi atropelada pelo seu próprio destino…

É como diz Caetano:
“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi da dura poesia concreta de tuas esquinas Da deselegância discreta de tuas meninas...”

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Meu mundo caiu /A boêmia de Maysa


Nunca parei em frente à TV nas férias para apreciar minisséries globais, apesar de que a última exibida, Capitú, eu prometi que assistiria, primeiro por gostar da história e segundo por ser admirador das obras de Machado de Assis. Infelizmente não foi o que aconteceu, em decorrência da minha viagem não pude ver, pois como disse no último post estava fora do país, e lá infelizmente ou felizmente não transmite rede globo.
Porém a minissérie (Maysa – Quando Fala o coração), que começou a ser exibida essa semana, me deixou preso no sofá da minha sala. Falo isso porque além da belíssima atuação e produção que vem legitimar mais uma vez o tal padrão globo de qualidade, contar a história de uma mulher que desafiou todas as regras da sociedade e até rompeu um casamento milionário em busca do sonho de cantar, não é pra qualquer um mesmo.
Maysa era uma mulher além do seu tempo, e mesmo carregando o sobrenome de uma família tradicional de milionários, os Matarazzo, conseguiu desdobrar entre o conservadorismo e os pré-conceitos que norteavam aquela época, principalmente pelo fato dela ser uma cantora de sucesso e por levar uma vida boêmia.
Não quero aqui fazer apologia ao consumo exacerbado de álcool, e muito menos ao cigarro, mas quero-lhe mostrar porque a rede-globo na minha humilde opinião se superou: primeiro pela produção da série que descrevi logo acima, e não vamos atribuir somente méritos ao canal, mas ao autor Manoel Carlos que escreveu e principalmente ao diretor Jayme Monjardim que é filho da estrela. Parece até engraçado, mas o enredo leva-nos a questionar porque um filho retrataria a história de sua própria mãe, sabendo ele que esta vai contra os valores da sociedade e principalmente da família que ela é inserida?
Talvez por Maysa ter sido uma cantora que cantava os seus amores e decepções, que bebia, fumava e tentou-se várias vezes suícidio, ela foi marginalizada pela a mesma sociedade que aplaudia e comprava os seus discos. Assistir Maysa, quando fala o coração, me trouxe uma certeza, que 2009 chegou nos mostrando que os heróis não são aqueles que são exemplos da sociedade e sim aqueles que fizeram alguma coisa para a evolução dela!

Cerca de um mês antes de morrer, Maysa faria a última anotação em seu diário particular. "Tenho 40 anos, 20 de carreira. Sou uma mulher só. O que dirá o futuro?"