A última viagem que o meu pai fez para Brasília me trouxe presentes que eu gostaria de compartilhar aqui. Mas antes, prepare um capuccino quentinho e se delicie nessas leituras...
O primeiro presente foi um livro intitulado: “A Rebelião dos estudantes”, de Antonio de Pádua Gurgel. Quando o vi achei que era ficção, porém a capa dele, que está em formato de jornal Standard, me remeteu as revoluções dos estudantes de 1968. Era isso mesmo, o livro retratava os bastidores da criação de Brasília e de sua primeira universidade – UNB (Universidade Nacional de Brasília). A verdadeira história da Unb, desde a sua implantação, onde autor que também participou dessa história, nos conta em páginas que o surgimento de uma universidade na nova capital do país, recebeu severa resistência, inclusive do ministro da educação do presidente Juscelino Kubitschek, que a muito custo aceitava a criação dela em pequeno campus a mais de 30 km do Plano Piloto. Porém venceu a insistência de Lúcio Costa que a colocou em área privilegiada da cidade. Poucos anos depois, as ameaças da ditadura e a concentração da universidade num mesmo espaço talvez tenham sido responsáveis pela intensa mobilização do movimento estudantil de Brasília em 1968. Um fato curioso que é contado no livro também foi o episódio dos alunos que foram massacrados pela polícia na biblioteca da Unb, durante uma visita do embaixador americano John Tuthill, onde o mesmo foi recebido pelos alunos com vaias, em protesto contra a guerra do Vietnã (contexto histórico da época) e o acordo MEC-USAID, cujo objetivo era transformar as universidades brasileiras em fundações privadas.
No prefácio do livro Franklin Martins resume essa história em dois casamentos e 1 divórcio. O primeiro casamento seria entre os estudantes e a política; O segundo entre os estudantes e os seus pais (infere-se sociedade); E o divórcio entre os estudantes e a política (ditadura militar).
Ao ler rebeliões dos estudantes, entendo porque hoje gozamos de uma democracia, e até reconheço os estudantes daquela época, que muitos fizeram contra os abusos do poder. Alguns até doaram a suas vidas por essas causas, e hoje não são reconhecidos. No entanto a dialética é uma: A universidade é a única capaz de mudar o destino de uma sociedade. Outra coisa, o diferencial desse livro foi que o autor não se preocupou com análises, e sim, em reconstruir os fatos historicamente através de documentos de arquivos oficiais e particulares, depoimentos e coleções de jornais da época e memórias.
Já o segundo presente foi um Box da MPB com quatro documentários sobre a vida e obra de quatros grandes insigne da música popular brasileira, com direção geral de Aluísio Didier.
Documentários do box 4MPB
O primeiro documentário (Brasília, uma sinfonia) É sobre a primeira apresentação ao vivo da sinfonia composta por Tom Jobim e Vinicius de Moraes, em Brasília, no aniversário de 25 anos da cidade.
O segundo documentário (Nosso amigo Radamés Gnattali) O filme é em homenagem ao maestro, pianista, arranjador, compositor clássico e popular. Um encontro com um dos músicos mais completos do Brasil.
O terceiro documentário (Um certo Dorival Caymmi) Em entrevista no Museu do Açude, Rio de Janeiro, Caymmi conta sua história pessoal e profissional, entremeada por números musicais, iconografia e ficção.
O quatro documentário (Maestro Bocchino) A vida e a obra do compositor e pianista em entrevista, depoimentos, iconografia e performances que vão de instrumentos solo à orquestra sinfônica. Um documentário revelador de uma parte da história da música clássica-conteporânea do país
Todos esses Belíssimos documentários, retrata a vida e obra de músicos que fizeram história na MPB. Com certeza uma grande pedida para se conhecer um pouco de cada um desses artistas que foram completos na música.
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