quinta-feira, 15 de abril de 2010

A odisséia estudantil


Não faz muito tempo que postei aqui sobre um livro que estava lendo na época que falava justamente sobre “movimentos estudantis”. Então, ultimamente passo a receber no e-mail vários textos contextualizando justamente esse tema, universitários vs Sistema. Não pensei duas vezes, vou colocá-los no “Comunicólogo”, afinal é importante mostrar o papel dos estudantes na formação de uma sociedade, diga-se de passagem, mais justa.

Na última terça-feira, dia 13, alguns alunos da UFT (Universidade Federal do Tocantins), sob a forma de protesto adentraram o ônibus da linha 9 (nove), pela porta de trás em torno de 21:00. Então, você caro leitor que deve está se perguntando, o que isso tem de errado? Você não sabe o terço da missa, mas não se preocupe, eu vou lhe contar tudo.

Acontece que a linha 9 antes era de acesso livre, ou seja, sem catracas e retaliações. Com a construção do novo Shopping de Palmas (Capim Dourado), a empresa de ônibus determinou que acabasse o “acesso livre”, pelo o fato do novo shopping está localizado próximo a Universidade. A condição foi o seguinte, os estudantes que ainda querem continuar utilizando a linha gratuitamente, façam a carteirinha especial, mais conhecida como “Carteirinha do Estudante”. O fato dos estudantes terem burlado o novo sistema gerou uma discussão muito grande. O manifesto foi abafado quando a polícia militar chegou – e, diga-se de passagem, não pode “entrar” em instituição de ensino público federal, cabendo à Polícia Federal apenas.

A complexidade do fato se dá ao observarmos as entrelinhas das atitudes;

a) Alunos protestam;

b) Alunos reclamam do protesto;

c) Movimento estudantil não tem credibilidade dentro da comunidade acadêmica;

d) Polícia que é a representação da proteção, defesa e segurança que o Estado tem e deve constitucionalmente nos proporcionar, confronta com a própria lei;

e) Relação entre empresa que possui monopólio do transporte público na capital tocantinense, estudante e trabalhador;

f) Sistema sociocultural, político e econômico no qual estamos T-O-D-O-S inseridos.

Enfim as enumerações deste único fato - sem redimensioná-lo aos seus hipertextos - ultrapassariam as letras do alfabeto em centenas.

Mas esse é um dos casos que estão ocorrendo aqui no Tocantins, mais precisamente em Palmas. O movimento estudantil não é apenas prioridade de estudantes de universidade pública, nas instituições particulares também ocorrem, mas elas são internas.

Faz duas semanas que os alunos da Faculdade Católica do Tocantins aderiram uma greve que a priori seria temporária e já dura 15 dias. O motivo da paralisação é por conta da não aprovação dos alunos com a direção da faculdade, mas específico uma diretora. Segundo eles, depois da mudança de direção, a faculdade desandou. Com isso, alguns professores, principalmente do curso de direito, estariam descontente com o sistema adotado por ela, e pediu demissão, ou transferência para outra faculdade.

Lembrando que a Faculdade Católica do Tocantins, já foi considerada pela comunidade acadêmica como a melhor faculdade de Direito da capital, por possuir os melhores professores etc.

O engraçado é a imprensa local não noticiar nenhum dos casos até agora, estão esperando o que? Alguém morrer? Compreende que os estudantes de hoje atuam da mesma forma como os da época da ditadura, mas dessa vez temem a represália? Esse caso mostra-nos o quanto fomos maltratados em manifestações estudantis que hoje nos “silenciamos” por temer o sistema. Novamente voltamos aquele discurso de revolução, fazer valer o seu direito. Por isso, sobre a atitude dos alunos manifestantes não falaremos, pois eles agiram - certo, errado, não nos cabe aqui neste momento julgá-los- e, como diria Gandhi: “Você nunca sabe que resultados virão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados." ...

Texto adaptado de CAlangos (Comunicação Social UFT)